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Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010.

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DEPRESSÃO?! Que doença é essa?

Depressão (do verbo latino deprimo, que significa “subjugar” e “reprimir”), de + pressão.

É um termo geral para uma sucessão de sintomas, conforme veremos abaixo, que vai de um simples abatimento, até a perda real e plena da motivação para a vida, para qualquer coisa, ou seja, uma apatia completa.

O deprimido vive o passado negando o presente.

A depressão caracteriza-se pelos seguintes sintomas:
• Inatividade ou redução significativa da atividade do deprimido;
• Desânimo intenso;
• Cansaço;
• Distúrbios do sono;
• Falta de apetite;
• Prisão de ventre;
• Dores de cabeça freqüentes;
• Taquicardia;
• Dores na coluna;
• Queda no nível energético físico;
• Nas mulheres, descontrole menstrual;
• Sentimentos de culpa, com atitudes de auto-repreensão;
• Busca constante de estar em paz com todos a sua volta, porém com visível impaciência ou apatia;

Podemos, em outras palavras, dizer que a pessoa deprimida é uma pessoa que perdeu a fé em si mesmo, na vida, em tudo.

A depressão desde o final do século passado é tão freqüente em nossa sociedade, que até foi descrita como sendo uma “reação perfeitamente normal”, desde que, evidentemente, na interferisse em nossas tarefas diárias.

Embora estatisticamente atinja um grande número de pessoas, a depressão não pode ser considerada como um estado saudável de ser. Não podemos banalizar a doença e nos acostumarmos com a depressão como se fosse algo que já faz parte de nossa vida cotidiana. Depressão é doença, não é saúde não!

É certo que não podemos esperar que alguém esteja alegre todo o tempo. Nem mesmo as crianças o conseguem. Também não podemos achar que qualquer estado de tristeza e infelicidade que sentimos já é um estado de depressão. A depressão não pode ser confundida com estados de tristeza e de abatimento.

Para que possamos nos considerar saudáveis é preciso que nos sintamos bem, que tenhamos o bem-estar a que se refere a Organização Mundial da Saúde – OMS, quando diz: “Saúde é um bem-estar físico, emocional, mental, social etc.”, e não apenas físico como entendíamos até pouco tempo atrás.

Saúde é muito mais que um simples não ter doenças no corpo.

Alguém saudável sente-se bem a maioria do tempo, com as coisas que faz, seu trabalho, seus relacionamentos, seu lazer e suas atividades em geral. Em certas ocasiões, seu prazer atinge a alegria e até mesmo o êxtase. Em outras, experimenta a dor, a tristeza, o desapontamento e o desgosto. Contudo, ainda assim não fica deprimido, incapaz de reagir.

A pessoa com depressão se sente assim: incapaz de reagir.

Ser incapaz de reagir delimita o estado depressivo de quaisquer outras condições emocionais. Isto é diferente de desânimo. Estar desanimado não implica em ter perdido a confiança em si mesmo e a fé. A pessoa desanimada recupera a autoconfiança, a fé e a esperança quando a situação muda. A pessoa abatida também. A pessoa desestimulada idem. A pessoa deprimida não. Esta se sente incapaz de reagir independentemente da situação em que esteja vivendo.

Por que a depressão acontece?

Porque perseguimos, em nossas vidas, muitas ilusões, objetivos que, na verdade, não nos conduzem à felicidade.

Deixamo-nos influenciar por idéias e objetivos que não nos pertencem, que não traduzem necessidades nossas, mas que, muitas vezes, nos fascinam e nos obrigam a alimentar expectativas na maioria das vezes fúteis e que não nos trazem a felicidade. Como um novo modelo de carro, ou o mais moderno aparelho celular, ou ainda a viagem no transatlântico, etc.

Vemos em alguns comerciais na tv, muitas vezes, o apelo do marketing nos fazendo crer que aquele produto nos fará felizes para sempre e isto nunca acontecesse, porque a gente é feliz com ou sem qualquer produto, apenas porque sente prazer em viver, em ser como é, em amar e ser amado, e ter o que é suficiente para ser feliz.

A depressão, além de ser muito dolorosa para quem a tem, é terrivelmente difícil para aqueles que convivem com o seu portador.

A pessoa deprimida precisa de estima, de auto-estima, da aprovação, do amor, da aceitação dos demais, o prestígio, o sucesso e a fama que os comerciais e a internet estão cansados de “oferecer” em seus produtos, em suas “promoções”, em seus pacotes cirúrgicos e na mais moderna tecnologia.

Existe hoje no mercado dos fármacos, uma enorme gama de medicamentos para combater a depressão. Existem especialistas e terapêuticas diversas. A depressão pode e deve ser vencida. Não deixemos que ela seja vencedora. Somos mais inteligentes, mais talentosos e mais, muito mais interessantes que qualquer tipo de publicidade possa divulgar.

Texto extraído do livro “Vencendo a Depressão”, da psicóloga Cleunice de Arruda Castro.